“Coitado do homem que vai atrás de mandinga de amor”

Parafraseando Baden Powell, na música Canto de Ossanha, “Pergunte ao seu Orixá, o amor só é bom pra valer[…]”. Ainda hoje, e esse quadro vai demorar para mudar, encontramos folhetos de poste divulgando os trabalhos de baixa magia, mais conhecidos como “Trago seu amor em 3 dias”, “Trabalhos para relacionamentos duradouros” e afins.

Certa vez, em uma gira da esquerda, Seu Zé se manifestou e como sempre, muito receptivo e amigo. Algumas pessoas presentes chegaram a perguntar sobre seus problemas amorosos, com certo lamento na alma. Seu Zé, profundo conhecedor das mazelas humanas, refletiu por um instante para falar para cada um de uma forma que entendessem e seguissem suas vidas sem medo de ser feliz.

Ele disse mais ou menos assim:

– Você tem certeza que ama essa pessoa?

Em todas as respostas, ouviu que sim. Então ele continuou:
– Você pode amar todo mundo, mas se não amar a si mesmo, vai continuar sofrendo na vida. Pois ninguém pode completar a falta do amor próprio.

Muitas vezes colocamos nossa felicidade distante de nós, colocando a responsabilidade na outra pessoa. Andar só ao invés de mal acompanhado, devia ser um dos mandamentos do amor. Quantas pessoas vivem de aparências apenas para estar ao lado de alguém?! Inúmeras.

Pior ainda, quando algumas pessoas buscam trabalhos espirituais afim de “amarrar” o “seu amor” para viver uma história feliz. Além de cometer um crime contra as leis universais, a ilusão de amor com a possessão do próximo só traz dor e sofrimento. Como bonecos anestesiados, as vítimas dessas magias esgotam todo o brio da vida e potencializam energias contrarias do amor. Nesse momento, brigas, conflitos e desamores tomam conta do relacionamento, onde muitas pessoas enxergam que “o amor da sua vida” talvez nem seja a pessoa atual. O relacionamento termina e a vida segue, e junto a ela fica todo o resquício daquele ato lamentável.

Toda ação contra a naturalidade da vida retarda os caminhos. Quem recorre a esse tipo de trabalho está condenando a própria felicidade durante toda vida, além de transgredir a vida do próximo que foi atingido pelo sentimento mesquinho de posse.

Seu Zé Pelintra traz em seus mistérios o amor que vem de Deus, e como um representante dessa linha que trabalha na minha corrente mediúnica diz:

“Como é possível amarrar um sentimento como o amor? Que nos liberta e conduz pelos caminhos dos Orixás?”

Celebremos a vida da forma mais natural possível. Coitado do homem que vai atrás de mandingas de amor. Vai, vai, vai, sofrer…

Por João Paulo Francisco  - Escritor e Médium umbandista
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